Arquivo Fotográfico do Diário do Alentejo

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Cultura e entretenimento, um debate necessário.

No dia 4 de outubro do ano passado, a rubrica semanal de José Tolentino Mendonça na Revista do jornal Expresso, intitulava-se “ A Cultura não é um luxo”.  Para o autor, “… é uma necessidade básica…” já que, “… o homem não vive só de pão: precisaremos sempre de alimentos de outra natureza”. Avança, ainda, com outra afirmação : “Um dos perigos contemporâneos é a transformação da cultura em indústria de entretenimento, recheada de produtos de consumo rápido e sonâmbulo, capturada pelo simplismo dos modelos”.
Poucos meses antes (26 de julho), este mesmo tema tinha sido objeto de uma entrevista a Mario Vargas Llosa (MVL) no jornal Público, retomando um tema abordado pelo escritor peruano no livro “A Civilização do Espectáculo” (Quetzal Editores, 2012). Nessa entrevista, onde se fala da sociedade atual e de política, aborda-se também a cultura, em geral e, como não podia deixar de ser, a literatura, em particular.
Para MVL, “… a literatura hoje em dia vive uma crise muito profunda, converteu-se sobretudo em entretenimento, perdeu a sua pugnacidade, a sua beligerância crítica, e busca sobretudo entreter. E o entretenimento também é uma espécie de adormecimento, uma maneira de desmobilizar criticamente os cidadãos.” Transpondo esta ideia para um campo mais lato, MVL, afirma que “… o desaparecimento desse espírito crítico vem com a frivolização de uma cultura que só procura entreter e divertir, e que se converteu muito mais num espetáculo do que o que tradicionalmente era : pensamento, ideias, uma visão crítica da realidade, da vida e de todas as manifestações das relações humanas.” MVL vai ainda mais longe, ao afirmar que o “inimigo maior” da democracia é “… o desaparecimento da cultura enquanto questionamento constante da realidade.”
Ainda que não se debruçando especificamente sobre este tema, um artigo de António Pinto Ribeiro (APR) publicado um mês antes (13 de junho), também no Público, com o título “Alienação, uma palavra esquecida”, aborda “a lógica da quantificação do mundo”, aplicada às manifestações culturais, que “…faz parte de ideologia que vê nos cidadãos apenas consumidores… “ e cuja “… lógica é a do consumo do entretenimento…”
Para APR, os “recordes de bilheteira” que se procuram (e se apregoam), contagiam “… o quotidiano da experiência estética, da fruição ou da criação artística com a terminologia própria das superfícies comerciais…” podendo também, transformar-se em “números políticos”, ao “… possuir um ‘capital’ político que faz com que se mantenha um gestor, um programa, uma organização dependente da administração pública, por exemplo.”
Três interessantes reflexões, que podemos transpor para a realidade do nosso país. Desde logo, um verdadeiro “massacre” televisivo, com programas diários, em dose dupla ao fim de semana, que se repetem e replicam, com os mesmos artistas e grupos, os mesmos concursos que apelam às chamadas de valor acrescentado, os mesmos apresentadores/animadores que, não poucas vezes procuram ter graça, para serem “engraçadinhos”. É, de facto, uma “guerra”, com armas muito poderosas, que transforma entretenimento em mau gosto e vice-versa e que contamina toda a nossa sociedade, com o tal “adormecimento”, a que MVL se refere.
Domingo à tarde, algures por aí

Depois, ao nível dos poderes públicos, assistimos, a pretexto do “combate à crise”, à desvalorização da Cultura, não só pela extinção do ministério da pasta, substituído por uma secretaria de estado (recuando cerca de 20 anos), mas também pelo desinvestimento em áreas essenciais, como o património, o livro e a leitura ou a criação artística, sem falar nos baixos orçamentos das direções regionais, que as levam a uma quase paralisia.
Tendo em conta a inexistência de um verdadeiro poder regional (que poderia resolver, por exemplo, situações como a que até há pouco passou o Museu Regional de Beja), resta-nos, como verdadeiro motor da cultura local, os municípios (para além, claro, dos agentes e associações culturais que, muitas vezes contra ventos e marés, vão desempenhando, alguns há décadas, um papel insubstituível, junto das comunidades).
Ao nível municipal, tal como no nacional, as políticas culturais têm sobretudo a ver com os seus promotores e executores, ou seja, os decisores políticos. Veja-se o caso paradigmático do Porto onde, após o “apagão cultural” da cidade, no consulado de Rui Rio (cujo ponto máximo foi a entrega do teatro Rivoli a Filipe la Féria e onde pontuavam as corridas de carros, ou de aviões sobre o Douro) um novo executivo, com uma aposta forte na Cultura, liderada por um dinâmico e competente vereador, voltou a pôr o Porto no mapa cultural, afirmando a cidade, a nível regional e nacional e até internacional.
O que se passa na nossa região não é muito diferente do resto do país. Para além de uma atividade cultural mais ou menos consistente, mais ou menos esporádica e pontual, cada vez mais se impõem certames que pouco se distinguem uns dos outros (às vezes até coincidem nas datas). Ou são as feiras temáticas em torno de um tema ou produto regional – o queijo, o vinho, o porco, o pão, a água, o peixe – onde, além dos stands institucionais e das associações locais, se divulgam (e vendem) produtos da região e de outras zonas, se instalam as convenientes tasquinhas de comes e bebes e se promovem espetáculos que obedecem, regra geral, a formatos idênticos (e cuja cereja no topo do bolo é a transmissão televisiva num domingo à tarde); ou são as reconstituições históricas (romanas, medievais, quinhentistas, etc), adquiridas a empresas especializadas no ramo, em “pacotes” que variam com os milhares de euros disponíveis, e onde os mesmos figurantes tocam e dançam as mesmas músicas, fazem os mesmos números circenses, onde se vendem o mesmo artesanato, os chás e os licores, apenas variando (ou não) o vestuário e os adereços que se apresentam nos desfiles “históricos”.
Feira medieval, algures por aí (onde é que eu já vi isto?)
Os milhares de assistentes a estes eventos são os tais consumidores a que os autores referidos no início deste texto se referem e que, num “voyeurismo” acrítico observam o “comércio de escravos” ou a “luta de gladiadores”, esquecendo (ou não sendo informados) que a grandeza de um império (neste caso, o romano), significou a expressão do pior que a natureza humana pode fazer (e que foi repetido noutros impérios). Os escravos que ali são representados podiam muito bem ser os que estavam ao serviço do “patrício” proprietário da villa Pisões e que os gladiadores eram os que serviam a filosofia do poder dominante, dar pão e circo ao povo, para que o povo estivesse satisfeito. E, no entanto, bastava o simples recitar de uma poema de Brecht para esses assistentes se questionassem : “ A grande Roma está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? (…) César venceu os gauleses. Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço? “
É claro que, ao lado destes eventos, existem autarquias que procuram desenvolver iniciativas coerentes e consistentes, visando a promoção cultural dos seus cidadãos. Aliás, cultura e entretenimento não são incompatíveis e até podem coexistir, não se pode é confundir o papel de cada um e, muito menos, os poderes públicos substituírem coletividades locais na promoção de certos eventos enraizados nas tradições locais.
As Troianas, pela Escola da Noite, Coimbra
Casa da Cultura de Beja, 1998 - Programa Bejarte
O Festival Islâmico de Mértola tem um programa cultural rico e diversificado, que complementa toda a componente mais lúdica e a vertente comercial, cuja expressão máxima é o souk. As Palavras Andarilhas ou o Festival de Banda Desenhada, em Beja, a Quinzena Primavera no Campo Branco ou a Planície Mediterrânica, em Castro Verde, o Encontro de Culturas, em Serpa, são eventos consolidados no mapa cultural regional e até nacional, tal como iniciativas de outro tipo, como o Fórum 21, em Moura, ou as Conferências de Aljustrel, que procuram, com o recurso à palavra e à troca de ideias, debater assuntos de interesse municipal e regional. Outras autarquias, pelo contrário, não aproveitam certas oportunidades, como foi o caso de Beja que, ao ignorar os 50 anos da morte de Abel Viana, ocorridos em 2014, perdeu uma boa oportunidade de promover o  debate sobre o património e a arqueologia, em particular, num momento de grande atividade, como o provam as escavações do fórum romano, do Outeiro do Circo ou as que as obras da EDIA têm originado (momento que poderia igualmente servir para discutir a tão badalada e controversa demolição do depósito da água).
Políticas culturais municipais, mais do que apostar em grandes eventos que, de efémeros que são, pouco ou nada deixam (para além de praças cheias), devem assentar na formação e fidelização de públicos, em programas coerentes e devidamente financiados, que garantam a qualidade do trabalho nas bibliotecas, nos museus, nos teatros, nas galerias de arte; na preservação e na divulgação e fruição do património cultural e natural, material e imaterial; nas parcerias com o movimento associativo e com as escolas; no trabalho em rede com outras autarquias e entidades, regionais e nacionais.

Só assim se concretizará o sonho do “nosso” Bento de Jesus Caraça que, em 1933 escreveu : “A aquisição da cultura significa uma elevação constante, servida por um florescimento do que há de melhor no homem e por um desenvolvimento sempre crescente de todas as suas qualidades potenciais, consideradas do quádruplo ponto de vista físico, intelectual, moral e artístico; significa, numa palavra, a conquista da liberdade.”    
26 junho 2015


quarta-feira, 17 de junho de 2015

10º aniversário da reabertura do Pax Julia . Desconhecimento ? Esquecimento? Insensibilidade?


TODAS AS VIDAS NUM PALCO
2005 - 17 DE JUNHO - 2015

No fim do ano de 1990 o Cine-Teatro, então propriedade da Lusomundo encerra as suas portas, em parte devido à degradação das suas instalações, em parte pela concorrência que o aluguer de vídeos introduzira e que fazia cair o número de espectadores de cinema, desde 1952 a principal actividade da sala.
Após alguns anos de incertezas (será templo religioso? será espaço comercial?), é adquirido pela Câmara Municipal e, desde logo foi decidido que continuaria a ser o equipamento cultural que era desde 1928.
 Em 1999, o Ministério da Cultura, dirigido por Manuel Maria Carrilho, anuncia o programa "Rede Nacional de Teatros e Cine-Teatros", que visava a recuperação de salas antigas e a construção de novas, de modo a cobrir o território nacional de um conjunto de equipamentos culturais modernos, que permitissem a difusão das artes do espectáculo e a consequente promoção cultural dos cidadãos, quebrando com a tradicional macrocefalia cultural de Lisboa e permitisse uma efectiva descentralização.
Assim, através de um financiamento tripartido ( fundos comunitários, Município de Beja e Ministério da Cultura ), foi possível recuperar o Pax Julia, sonho adiado dos bejenses, até ao dia 17 de junho de 2005.
Foto de Eduardo Franco
Tal como aconteceu em Beja, outros teatros já tinham sido inaugurados e outros sê-lo-iam nos anos seguintes, uns recuperados (Aveirense, Avenida - Castelo Branco, Teatro Circo - Braga), outros construídos de raiz ( Municipais de Bragança, Vila Real, Guarda, Teatro das Figuras - Faro ).
Por isso, não é de estranhar que, vários desses teatros tenham comemorado ou vão fazê-lo, o seu 10º aniversário. Porque, comemorar essa efeméride é uma forma de :
- valorizar o papel do teatro na promoção cultural das cidades e das regiões;
- reconhecer o trabalho dos profissionais que aí trabalharam e/ou continuam a trabalhar;
- promover a auto-estima da população local, que se orgulha desse equipamento cultural;
- compreender a importância da Cultura para a afirmação da cidade, na região e no país.
Tudo isto está bem expresso em algumas opiniões reproduzidas pelo Correio da Manhã, aquando da inauguração do Pax Julia :
"MUITO ORGULHO" (Antónia Dias, reformada) “Há 35 anos que vivo ao lado do Pax Julia e é com muito orgulho que o vejo agora renovado e de cara pintada. Era uma tristeza muito grande ter este vizinho degradado e a cair de velho, depois de tantos anos a fazer-nos sorrir com as suas matinés.” 
"VESTÍAMOS A MELHOR ROUPA" (Carlos Figueira, reformado) “Lembro-me muito bem de como eram aqueles tempos. Ir ao cinema era uma festa. Vestíamos a nossa melhor roupa e lá íamos nós para o Pax Julia. Ainda me lembro do primeiro filme que aqui vi. Foi o ‘Zé do Telhado’ e na altura paguei na altura 5 escudos.” 
"SAUDADES DO ANTIGO" (Emília Ramoa, reformada) “É com muita saudade que recordo o antigo Pax Julia. Lembro-me perfeitamente das tardes no cinema e do convívio que havia antes, no intervalo, e no final das sessões de cinema. Foi sobretudo a saudade que me fez vir à inauguração.” http://www.cmjornal.xl.pt/cultura/detalhe/de-volta-a-cultura.html
Assim, vários são os teatros que comemoraram o 10º Aniversário, a maioria através da realização de espectáculos, acompanhados pela divulgação da efeméride:
3 jan 2014 - Municipal de Bragança - Orquestra Filarmonia das Beiras, com a soprano Isabel Alcobia e o tenor Carlos Guilherme. Edição de um livro com a história dos 10 anos do teatro);
19 mar 2014 - Municipal de Vila Real - Rodrigo Leão;
17 set 2014 - Micaelense (Ponta Delgada) - Win Mertens;
25 abr 2015 - Municipal da Guarda - Rita Guerra;
20 jun 2015 - Municipal de Estarreja - Jafumega+Orquestra Filarmónica das Beiras;
30 jun 2015 - Municipal de Faro - Michael Nyman.
E em Beja, como foi comemorado o 10º Aniversário da reabertura do Pax Julia? A resposta é, infelizmente, não foi.
E até havia uma hipótese. Por coincidência, certamente, hoje mesmo há um concerto no teatro, ainda por cima fruto de uma louvável parceria com outra instituição cultural relevante, o Conservatório Regional, como se pode ler no blogue do Pax Julia :
Dia 17
Música
21h30
CONCERTO PIANO E VIOLINO – Temporada de Concertos CRBA 2015
Co-Produção Conservatório Regional do Baixo Alentejo / Câmara Municipal de Beja

E, afinal, até não era difícil, bastava associar esse concerto à efeméride, fazer uma notícia no portal, na página do Facebook, na newsletter semanal da autarquia; uma nota de Imprensa; uma faixa na fachada do teatro; um folheto para distribuir em vários locais da cidade. 
Mas nada disso foi feito. A Câmara Municipal de Beja pura e simplesmente ignorou.
E a pergunta que se coloca é : porquê? Por desconhecimento? Por esquecimento? Por insensibilidade? Ou pelas três razões juntas? Que cada um tira as suas conclusões. As minhas, um dia destes publicarei.
  

Para concluir : em 2005 o Museu Jorge Vieira - Casa das Artes comemorou também o seu 10º aniversário. Para além de vários eventos alusivos à efeméride, foi publicado um livro que retrata precisamente o que foram esses profíquos e intensos dez anos no campo das Artes Plásticas. 
Outros tempos, outras pessoas, outras vontades.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Pax Julia : três "vidas" em (quase) noventa anos de História.

TODAS AS VIDAS NUM PALCO
2005 - 17 DE JUNHO - 2015
Talvez não fosse necessário, mas é sempre bom recordar, recuando umas décadas:


19 de dezembro de 1928 : inauguração do Teatro Pax Julia, com a Companhia de Ilda Stichini, que apresentou três peças, Simone, O Centenário e Os Mosquitos. A Banda da Capricho desfilou pelas ruas da cidade e tocou o Hino de Beja frente à porta principal do teatro. Lançaram-se muitos foguetes. As portas foram abertas às 21 horas e a lotação esgotou por completo.



2 de janeiro de 1952 : reabertura do teatro, após obras de remodelação, agora com a designação de Cine-Teatro Pax Julia. A Companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro apresentou as peças "O Amor precisa de Escola, Essa Mulher e As árvores morrem de pé.
Rui Veloso - 1987 (foto do Diário do Alentejo)
17 de junho de 2005 : reabertura, após nova remodelação, com a designação de Pax Julia - Teatro Municipal. Espectáculo "Músicas de Sol e Lua", com Vitorino, Sérgio Godinho, Rão Kyao, Janita Salomé e Filipa Pais.
"Com a reabertura do Pax Julia, Beja volta assim a figurar no roteiro cultural português, oferecendo aos artistas nacionais, e não só, um espaço digno e multifacetado. O público também não foi esquecido e tudo foi providenciado no sentido de criar um espaço acolhedor e confortável." , in  http://www.cmjornal.xl.pt/ , 19.06.2006



1 de novembro a 20 de dezembro de 2008 : programa comemorativo do 80º aniversário da inauguração do Pax Julia. Entre outros, espectáculos com a Escola da Noite, José Salgueiro ( ADUF ), Rita Redshoes e Camané. A encerrar, "O Quebra Nozes", em duas apresentações, pela Companhia Nacional de Bailado.

  

"RESPEITA O PASSADO" (Manuel Magro, reformado) “É verdade que por dentro está mais bonito e mais apetrechado, mas também mantém o mesmo aspecto de sempre. É, de facto, uma sala imponente. E o mais importante é que respeita o passado, já que as bilheteiras, a porta de artistas e tudo o resto está precisamente onde sempre esteve.”
(citação retirada desta notícia do Correio da Manhã, de 19 de junho de 2005)

Sobre a reabertura do Pax Julia, em 2005, ler também aqui

















terça-feira, 2 de junho de 2015

AGENDA DA CIDADE OU AGENDA DO CONCELHO? (2)

No dia 5 de julho de 2013 publiquei neste blogue um texto cujo título era exactamente igual ao que agora dá o nome a esta prosa. Quase dois anos depois, se o faço de novo é porque os motivos que me levaram a escrever esse texto se mantêm, não obstante a mudança de executivo municipal verificada em setembro de 2013.
  
Para não repetir o que escrevi há dois anos, deixo aqui o texto que, infelizmente, ainda está tão actual.
Em maio de 2015, para além das muitas iniciativas que realizam na cidade, que estão divulgadas nos mais diversos meios da autarquia - Agenda Cultural, Facebook, Newsletter, Portal - há outros eventos que, não obstante terem já a sua história e a sua importância, não mereceram uma só linha, uma só foto nesses meios. Refiro-me, em concreto, à Cultuneves (que já vai na sua 17ª edição), de 31 de maio a 9 de junho, à Semana Cultural e da Juventude de Santa Vitória (agora também de Mombeja), que se realiza há vários anos e que este ano tem lugar de 31 de maio a 10 de junho e, finalmente, à 19ª edição da Feira do Idoso, de Albernoa, de 12 a 14 de junho.
Ou seja, quem consultar estes meios de divulgação da Câmara Municipal, não conseguirá tomar conhecimento desses (e de outros) eventos que, por não se realizarem na cidade parece não terem o devido destaque. E que bem mereciam, essas iniciativas levadas a cabo pelas respectivas juntas de freguesia, em estreita parceria com as associações e outras entidades e pessoas locais.

Uma forma diferente de ver a realidade cultural, desportiva, lúdica e social de um concelho. Que nem sempre assim foi. E, porque uma imagem vale mais que mil palavras, deixo aqui apenas alguns exemplos do que já foi uma agenda cultural publicada no Município de Beja, numa altura em que os meios técnicos e humanos eram incomparavelmente inferiores aos actuais. Basta dizer que os conteúdos eram recolhidos, tratados e editados pela mesma equipa que organizava e produzia a maioria dos eventos culturais realizados pela autarquia. Apenas o grafismo e a impressão não eram feitos internamente, porque não havia as condições técnicas para tal.

                               
     
 

  



Para outra altura fica outra questão: o que deve ser uma Agenda Cultural editada por uma Câmara Municipal? O actual figurino, ou outro, que combine a informação essencial com outra, de natureza mais formativa e que incentive a população a participar nos eventos. Mas, um dia destes debruçar-me-ei sobre estes (e outros) temas de interesse e cujo debate nunca é demais.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Aritméticas eleitorais (É a Política, estúpido)

Na passada edição do Diário do Alentejo foi publicado um trabalho com o título “O fim dos “beringeleiros de Mombeja” (1), na sequência da aprovação de um decreto-lei em que é entregue a Beringel uma parte do território que pertencia à extinta freguesia vizinha.
Desde já, gostaria de referir que, à partida, quer esse projeto, quer um outro (de que falarei adiante e que foi igualmente aprovado), poderiam ter sido consensuais (e não o foram), dado que se limitam a corrigir situações que poderemos considerar de aberrantes e que vigoravam há muitos anos. Por outro lado, as opiniões que irei partilhar não são uma crítica a ninguém, nem aos autarcas de ambas as freguesias, nem aos deputados envolvidos no processo e que são citados no artigo, já que a sua ação teve como objetivo a defesa dos direitos dos cidadãos que os elegeram e isso não deve ser criticado. O processo que ocorreu não é único no País e basta uma consulta à página web da Assembleia da República, para encontrarmos outros idênticos.
Por exemplo, em dezembro de 2014 foi aprovada a “alteração os limites territoriais” de duas freguesias de Cantanhede e de outras duas de Vila Nova de Famalicão, em processos formalmente iguais aos que foram seguidos nas alterações verificadas em Beringel e Mombeja.
Só que as semelhanças ficam por aqui, já que, talvez no aspeto mais importantes, as duas iniciativas citadas foram bem diferentes das duas que ocorreram no concelho de Beja. Em ambas, todos os órgãos autárquicos envolvidos – juntas e assembleias de freguesia, câmaras e assembleias municipais – deram o seu parecer favorável, condição essencial até aqui para que a aprovação no parlamento se verificasse. Pelo contrário, por cá isso não aconteceu, e daí a “originalidade” e até o “pioneirismo” das propostas apresentadas pelos deputados do PS e aprovadas sem que tal consenso se verificasse (segundo o autarca de Beringel entrevistado, resultado da ação do deputado do PSD do distrito).
Assim, se analisarmos a documentação referente às duas iniciativas do concelho de Beja, o que verificamos? No projeto (420/XII) que retira território ao concelho de Ferreira do Alentejo e o integra no de Beja (cerca de cinco hectares, junto à aldeia de Mombeja, integrando, nomeadamente o campo de futebol desta localidade), todos os órgãos autárquicos do concelho “doador” se pronunciaram favoravelmente, nas duas consultas verificadas (antes e após as eleições locais de 2013, com freguesias separadas e mais tarde agregadas), aceitando a retirada de uma pequena parte da sua área.
No projeto (421/XII) que retira território a Mombeja e o integra em Beringel (cerca de cem hectares à volta da localidade, passou-se uma situação verdadeiramente insólita (tal como o problema que lhe deu origem). Sendo a proposta apresentada em maio de 2013, da freguesia “doadora” de território, apenas a respetiva assembleia se pronunciou (desfavoravelmente), já que a então Junta de Freguesia de Mombeja não emitiu qualquer parecer. Esta omissão verificou-se igualmente nos órgãos municipais – câmara e assembleia. Após as eleições de setembro de 2013, com as alterações verificadas (quer na composição dos órgãos, quer nas agregações de freguesias verificadas), o que aconteceu?  Se houve unanimidade no voto contra, da Junta e da Assembleia da União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja (o que pouco importou aos deputados da AR), continuou a verificar-se a omissão dos órgãos do Município de Beja, levando mesmo o deputado autor do parecer sobre este processo a escrever no mesmo: “ Apesar de plenamente cumprido o dever de consulta aos órgãos representativos do município de Beja, não foram recebidos até à data do presente parecer [ 9 de maio de 2014 ] , quaisquer pronúncias”. Quem quiser que tire as suas conclusões sobre esta omissão.
Analisando melhor este processo – e comparando-o com os outros dois atrás citados – podemos tirar também outras conclusões.
A primeira é a de que, como vem referido no trabalho do Diário do Alentejo, alguns dos pressupostos invocados no projeto 421/XII  não se verificavam, já que (como se pode inferir das opiniões dos habitantes de Beringel entrevistados), os residentes nas habitações situadas na freguesia vizinha há muito que tratavam os seus assuntos na freguesia onde efetivamente residiam e onde estavam recenseados e votavam. Logo, a aprovação desse projeto não foi mais do que a legalização de factos há muito consumados (e que levam até esses habitantes a desvalorizar a decisão parlamentar).
A segunda conclusão é a de que, neste processo, não se percebe bem a razão que levou a que esta regularização territorial (que incluía algumas habitações e o campo de futebol, entre outros), fosse muito além de uma área razoável ( 15, 20 hectares ?) e abrangesse (como se pode ver no mapa incluído no processo) cem hectares . Nem no projeto dos dois deputados, nem nas declarações do autarca de Beringel, se consegue perceber o porquê de tão vasta área retirada a Mombeja e incluída em Beringel. Ainda que o este último até reconheça que essa alteração poderá trazer “um acréscimo de 1500 a 2000 euros” à sua freguesia, penso que não terá sido esse o verdadeiro motivo.
Na alteração verificada no concelho de Famalicão, uma das freguesias ficou com cerca de 17 hectares que pertencia à outra e, na do concelho de Cantanhede, ainda que pela análise do processo não se consiga saber a área em causa (mas que mereceu a unanimidade de todos os envolvidos), há uma afirmação curiosa, que eventualmente até se poderia aplicar (caso fosse possível verificar esse aspeto) no caso de Beringel e de Mombeja : “Dado que se tratam de duas freguesias muito antigas, a freguesia de Murtede datada de 1836 e a freguesia de Ourentã de meados do séc. XIV, é de todo impossível encontrar cartografia que defina com precisão os limites entre as duas freguesias…”
Em terceiro lugar, julgo que só por lapso o Vítor Besugo terá proferido a frase “Santa Vitória sabia que bastava votar contra que isto não avançava…”.  Porque, se antes das eleições de 2013, Santa Vitória não era tida nem achada neste processo (quem tinha de se pronunciar eram os órgãos de Mombeja), após essas eleições (já com as duas freguesias agregadas), qualquer ação contrária da Junta e da Assembleia na nova União de Freguesias, não foi em nome de uma ou de outra localidade, ainda que, sejamos honestos, neste processo todo, quem fica a perder é mesmo Mombeja, já que o território de Santa Vitória não é minimamente beliscado. E, se em toda esta história rocambolesca, alguém deve ser elogiado, pela sua coerência e pela defesa dos direitos da freguesia a que preside, é Julieta Romão, a Presidente da União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja (e anterior presidente da primeira) que, de uma forma desassombrada (e até politicamente incorreta), descreve o processo e põe o dedo na ferida do mesmo, ao colocar as questões com que termina o trabalho do Diário do Alentejo.
A estas questões da Julieta, acrescento, para finalizar, duas outras : nas eleições de 2013, a freguesia de Beringel tinha 1264 eleitores inscritos, a União de Santa Vitória e Mombeja tinha 891 (dos quais cerca de 300 serão da anterior freguesia de Mombeja e os restantes de Santa Vitória); será que este processo se teria desenvolvido da mesma maneira, se Beringel tivesse 300 eleitores e Mombeja 1264? Ainda que a situação dos “beringeleiros” que viviam na freguesia de Mombeja tivesse mesmo de ser resolvida, será que, com estes números opostos  de eleitores, seriam retirados cem hectares a uma freguesia para serem entregues a outra, ou essa área seria bem menor?
Perguntas que ficam no ar, com duas certezas. A primeira é a de que, se casos como estes se passassem na terra das “Marias da Fonte”, talvez o seu desfecho não fosse tão pacífico como este é; a segunda é a de que, acima de tudo, vingaram neste processo as aritméticas eleitorais, que levam à inevitável conclusão : É a política, estúpido!
15 maio 2015







Beringel (foto Junta de Freguesia)
Mombeja (foto outeirodocirco.blogspot)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O ESTADO DO PATRIMÓNIO (a propósito da assinatura do contrato de financiamento para a construção do Centro de Arqueologia e Artes - 17 de abril - e do Dia Internacional de Monumentos e Sítios - 18 de abril).

Relativamente ao primeiro acontecimento, registe-se como positivo o facto de ir ser recuperado um edifício da Praça da República, o que diminui o número de prédios degradados nesse espaço nobre da cidade. Também deve ser realçado o destino dado a esse espaço, a arqueologia e as artes, ou seja, a Cultura, embora não se conheça em concreto qual o programa para áreas significativas a recuperar e a construir. Por outro lado, aguardemos que esse projecto seja complementado com os necessários trabalhos arqueológicos da zona envolvente e, já agora, que se resolva de uma vez por todas a novela "depósito da água". Só assim se justificarão os mais de dois milhões de euros que irão ser investidos na obra referida.
Quanto às iniciativas destinadas a comemorar os "monumentos e sítios", efeméride instituída pela ICOMOS Internacional, organização que fez 50 anos precisamente ontem, dia 18, focaram-se na região de Santa Vitória, através de uma conferência e de uma caminhada, ambas sobre a temática da Idade do Bronze, e de uma pequena exposição sobre as "Arqueologia das Cidades de Beja", com base nos trabalhos realizados junto ao local onde será construído o Centro de Arqueologia e Artes.
Iniciativas simples, mas meritórias, que procuraram, cada uma à sua maneira, realçar a importância da preservação e da divulgação do património.

No entanto, estas mesmas iniciativas deixam no ar duas questões: será que o novo e moderno equipamento (que, no anterior executivo municipal chegou a ser apresentado como um projecto tão avançado que até mereceu o interesse de técnicos da NASA -  http://www.vozdaplanicie.pt/index.php?go=arquivo&id=16488 )  irá coexistir com outros edifícios históricos que estão votados ao quase abandono há vários anos? E, se no passado dia 18, turistas (ou bejenses) quisessem visitar alguns desses edifícios, dos espaços mais emblemáticos da nossa cidade, o que iriam encontrar?
Façamos, então, essa visita.

1. Castelo.
Depois de alguns anos com o acesso ao cimo da torre interditado, eis que, no momento em que se realizavam obras no sentido de alterar essa situação e em que uma nova iluminação é inaugurada, uma parte do varandim cai, provocando ainda alguns danos na muralha e no piso térreo. E logo se levanta um coro de protestos e uma indignação sem limites, como se o ex-libris da cidade estivesse em risco de desmoronar logo a seguir. 
É claro que se tratou de uma situação lamentável, mas que, num monumento com setecentos anos pode perfeitamente acontecer. Basta observar a foto do Arquivo Fotográfico de Beja, em baixo, para ver como estava a torre de menagem há algumas décadas ( recuperada, juntamente com as muralhas e a alcáçova a partir da década de 30 no século passado). 
Isto não invalida que se coloquem algumas questões. Por exemplo, se num artigo do Público, é referido que "Elementos metálicos 'que terão sido introduzidos ou na construção ou em restauros antigos' do balcão saliente que contorna a torre de menagem do castelo de Beja estarão na origem da derrocada parcial da estrutura..." - http://www.publico.pt/local/noticia/corrosao-de-pecas-de-ferro-tera-provocado-a-derrocada-na-torre-de-menagem-do-castelo-de-beja-1677820 -  podemos questionar a influência que poderá ter tido a realização de várias festas no local, nos últimos anos - Beja Wine Night, Festa M80, etc - cuja característica comum era a presença de DJs até altas horas da madrugada com níveis impróprios de decibéis, quer para o descanso dos moradores da zona, quer para a própria torre.
Esta moda recente tem muito a ver com um conceito de "animação" dos centros históricos muito em voga, que confunde frequentemente cultura com entretenimento, onde vale tudo, desde essas festas até às reconstituições históricas - romanas, medievais, renascentistas, republicanas - como se essa amálgama de eventos seja o "ovo de Colombo" para o tão apregoado turismo cultural.
Ao mesmo tempo tomam-se decisões no mínimo discutíveis, como foi o de transformar o posto de turismo em cafetaria, transformando o que podia ser um local digno e com condições para receber os visitantes e ponto de partida para o conhecimento da cidade e da região, em mais um (desnecessário) espaço, igual a tantos outros espalhados por locais bem mais apetecíveis  (Piscina Municipal, Parque da Cidade, etc). Enquanto isso, o acolhimento de turistas é confinado a um acanhado e pouco acolhedor local, que não é bom, nem para os visitantes, nem para quem os recebe.
Esperemos, então, que resolvam os problemas de financiamento e que não demore muito a reconstrução da torre e a fruição de tão rico emblema do nosso património, e que se evitem outro tipo de "atentados" como os atrás referidos.




2. Museu.
Sobre o antigo Convento da Conceição - edifício - e Museu Regional - instituição - pouco mais há a dizer, para além do que tem sido escrito e discutido ao longo dos últimos anos. Beja, a sua história, o seu património e a sua cultura, não merecem o abandono a que tem sido votado esse espaço e quem lá trabalha. Basta atentar nas duas imagens em baixo, uma de 2012 e outra de há poucos dias, para se comprovar essa negligência por parte de quem devia zelar pelo bem público.
Para que se entenda melhor toda esta novela, deixo aqui três artigos publicados na imprensa local :
23 jan 2015 : http://da.ambaal.pt/noticias/?id=7096
17 abr 2014 : http://da.ambaal.pt/noticias/?id=5370
17 fev 2012 : http://www.correioalentejo.com/?opiniao=1017&page_id=56 .
Fica, então, mais uma vez, a pergunta : para quando a resolução definitiva deste problema, que traga a paz aos trabalhadores e que permita o usufruto pleno de tão belo monumento e das colecções que contém?
  
      

3. Igreja da Misericórdia.
Tal como em relação ao museu, as imagens da Igreja da Misericórdia, tiradas ontem, dizem tudo, valendo mais do que muitas palavras. O desleixo é mais que evidente, tornando-a em mais um mau postal turístico e patrimonial da cidade. Nada que tenha a ver com Loggia del Mercato Nuovo, de Florença, igualmente da segunda metade do século XVI, na qual a "loggia" bejense se terá inspirado e que, não obstante alojar um mercado diário, a forma é conservada impede que tenha os problemas que o edifício bejense tem.
Por outro lado, há também questões que não podem deixar de ser colocadas. Porque não encontrar um outro local para alojar a ARABE (uma Loja do Artesão), onde possam ser expostos e vendidos os trabalhos dos nossos artífices (provavelmente em melhores condições), de modo a proporcionar aos visitantes uma melhor visibilidade desse património? E para quando o fim do lançamento de fogo de artifício a partir do telhado que, tal como em relação ao som muito alto no castelo, poderá provocar danos no interior do edifício?

   
   
                                                            Loggia del Mercato Nuovo, Florença

4. Pisões.
Relativamente a Pisões, não dispondo de imagens recentes, fica o testemunho de alguns dos muitos "visitantes/praticantes" de geocaching, já que nesse local se encontra uma "cache":
em 2013 - " Pena as ruínas estarem fechadas "temporáriamente" ;
em 2014 - "Chegado ao local fiquei super admirado: aquilo são ruinas? nããã aquilo são templos Maias cobertos com vegetação porque ainda n foram descobertos lol. Cum camano. Ninguém se importa com aquele espaço??? fica a critica.";
em 2015 (janeiro) - "Encontrada em equipa com o meu mugle depois da visita às ruínas romanas de Pisões. A cache está em péssimas condições e o logbook está encharcado... Adorei as ruínas, mas lamento o estado de abandono em que se encontrada, à mercê da chuva e do sol que aos poucos vão destruindo as heranças deixadas há séculos atrás pelos nossos antepassados. A Sr. Conceição foi uma querida por nos ter feito a visita guiada pelo espaço, uma vez que este se encontra fechado..."
Esclarecedoras, sem dúvida, estas (e outras, não reproduzidas) afirmações, sobre o estado em que se encontra outra das "jóias da coroa" do nosso património. Passam os anos, mudam os protagonistas, mas o estado de Pisões não muda, ou melhor, se muda é para pior : encerrado, sem estrada de acesso em condições, sem condições de acolhimento e de visita condignas.
Fica um excerto do artigo atrás citado, que publiquei em fevereiro de 2014, sobre o Museu Regional e em que fazia também um apelo para "salvar" Pisões :
"Têm a palavra, então, a Assembleia Distrital, a Câmara Municipal de Beja, a Direção Regional da Cultura do Alentejo, a Direção Geral do Património Cultural, a Secretaria de Estado da Cultura. Que se sentem à mesa e discutam esta ou outras propostas, em nome da cultura, em nome da justiça, da não discriminação de cidades ou regiões, e da solidariedade nacional [sobre o museu].
Duas notas finais. A primeira é a de que se elabore uma parceria idêntica para “salvar” Pisões, incluindo, por motivos óbvios, a EDIA no lugar da Assembleia Distrital. Para que, também nas estações arqueológicas, essa importante villa romana não continue a ser o parente pobre, ao lado de São Cucufate ou de Miróbriga, já para não falar de Conímbriga, todas elas sob a tutela do poder central."

  
Fotos de cm-beja.pt

Resta-nos, por fim, o consolo de que, a cada "buraco" que se abre em Beja, mais um vestígio dos nossos antepassados se encontra. Desta vez numa obra da Águas do Alentejo, junto à estrada para o Penedo Gordo, logo a seguir à rotunda. Ficam as fotos e a legenda da empresa que procede ao estudo do local.


   
"A ERA em escavações arqueológicas nos arredores de Beja. Um sítio do período romano com uma extensa ocupação e diversos momentos de construção e ocupação."  -    www.facebook.com/EraumavezaERA


Ao longo dos anos tenho partilhado estas e outras opiniões sobre o nosso património, quer na forma escrita, quer em reuniões, colóquios e debates. Pena que muitas vezes de pouco ou nada têm servido, tal como a de outras pessoas que se interessam por estes temas. É que, tal como a sabedoria do nosso povo bem descreve, "santos de casa não fazem milagres" ou, de uma forma mais assertiva, "vozes de burro não chegam ao céu", pois aí só chegam a dos "génios", autosuficientes na sua sabedoria, que nunca se enganam e raramente têm dúvidas.